segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Maioria dos profetas Populares reunidos em Quixadá dizem que inverno será regular e fraco


Quixadá Um inverno regular a fraco. Este foi o diagnóstico apresentado pela maioria dos cientistas populares, homens e mulheres com experiência na observação da natureza, para a previsão do período da estação chuvosa no Nordeste brasileiro. O prognóstico popular foi divulgado no XVII Encontro dos Profetas da Chuva realizado no fim de semana em Quixadá. Participaram 23 profetas e uma profetisa. Para 14 deles, as chuvas devem tardar no Ceará, chegando somente a partir de março, mesmo assim abaixo da média pluviométrica de 700mm. As precipitações devem ocorrer em áreas concentradas.

Outros quatro profetas apontaram o prolongamento da estiagem no quadro meteorológico. O restante, apenas cinco, insistiu em bom inverno.

Desta vez, o galpão da Associação de Criadores de Caprinos e Ovinos do Ceará (Acocece), onde os profetas da chuva e o público se reuniram pelo segundo ano consecutivo, ficou lotado.

Segundo a equipe da Mugango Produções, responsável pela organização do Encontro, mais de 500 pessoas assistiram as apresentações. Além de convidados e autoridades, caravanas de universitários da Unilab e de agentes rurais de Ibaretama, um município vizinho a Quixadá, participaram. Todos estavam curiosos para conhecer de perto os profetas, admirados e seguidos por muitos agricultores na hora de tratar a terra para o plantio de sementes.

Os profetas surpreenderam. Após uma homenagem especial ao professor Manoel Lucindo Lemos Júnior, falecido recentemente, filho da profetisa Lurdinha Leite, um a um exibiram suas provas. Fotos, mapas, uma colmeia de maribondo conhecido como inchuí, um ninho de João de Barro, tudo chamava a atenção do público. Era a forma de atribuírem à própria natureza as previsões equivocadas do ano anterior, quando a maioria anunciou bom inverno. "E agora senhor profeta? Qual a sua previsão para 2013?", exclamava o mediador Helder Cortez após anunciar o prognóstico do participante no ano anterior. E quem havia acertado recebia mais atenção, como Renato Lino, da localidade de Tapuiará, na zona rural de Quixadá.

Embora as previsões do Encontro organizado pelo comerciante João Soares e pelo engenheiro químico Helder Cortez não sejam utilizadas como fonte oficial da quadra meteorológica do inverno no Ceará, muitos agricultores ainda se baseiam nelas para iniciarem o cultivo de suas lavouras. Alguns dos profetas aproveitaram a oportunidade para criticar os governantes. Pediram mais auxílio para o homem do campo.

Estratégias
O secretário adjunto da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Agrário (SDA), Antônio Amorim, representando o titular da SDA, Nelson Martins, disse estarem sendo traçadas estratégias de emergência caso as precipitações pluviométricas sejam realmente concentradas em algumas regiões e abaixo da média histórica.

Amorim reconheceu o Encontro como importante, tanto no aspecto cultural como científico. Para ele, a sabedoria popular não pode ser desprezada. Os resultados do Encontro devem ser observados com atenção, como um sinal de alerta. A esse respeito, ele divulgou a oferta de mais de R$ 900 milhões, através do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAP), para convivência com a seca no Estado do Ceará.

Outro representante do Governo do Estado presente ao Encontro foi o presidente da Ematerce, engenheiro agrônomo José Maria Pimenta. Acerca do pronunciamento do governo sobre os programas para este ano, começando com a distribuição de sementes, será definido a partir do diagnóstico apresentado pela Funceme no workshop programado para o período de 22 a 25 deste mês.

Os elementos científicos e tecnológicos são mais confiáveis, na avaliação do governo, ao definir o calendário da distribuição de sementes somente após a previsão da Funceme. Mesmo assim, ele comparou as previsões meteorológicas às variáveis econômicas e políticas; estão mudando constantemente sendo praticamente impossível antecipar com precisão o que vai acontecer na pluviometria.

Pesquisadores
Iniciado na noite da sexta-feira, com o Festival de Violeiros, o XVII Encontro dos Profetas da Chuva se encerrou na manhã de ontem, com um bate-papo de alguns dos profetas participantes com pesquisadores e observadores. O geógrafo e professor do IFCE, Lucas da Silva, foi um deles. O estudioso confessou ter ficado ainda um pouco confuso com as previsões. Para ele, a linguagem dos protagonistas é muito subjetiva. Havendo um aperfeiçoamento da interpretação dos sinais apresentados por eles ficará mais fácil de entender, conforme avaliou.

Outra questão apontada pelo estudioso está relacionada às previsões paralelas, apresentadas pelos sertanejos e pelos institutos oficiais. Na opinião dele, a união das duas avaliações poderá aprimorar a definição das previsões sobre o clima.

Ainda na oficina de encerramento, os estudiosos e profetas, dentre eles Erismar da Silveira, destacaram a estiagem atual como a pior dos últimos 40 anos. "Seca assim a gente só viu em 1958 e 1970. O quadro só não é pior em relação àqueles anos porque, atualmente, são desenvolvidas políticas públicas de assistência ao sertanejo, como a construção de cisternas de placa, entre outras tecnologias de convivência com o semiárido, distribuição de água e ainda o auxílio financeiro. Todavia, a expectativa de quem depende da chuva nos próximos meses do ano para ter boa colheita e alimentar o rebanho é sempre de um bom inverno" completou.

Jornal Diário do Nordeste /Alex Pimentel

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